A morte da cor

By: Bruno Leal

Abr 16 2012

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Categoria: Sem categoria

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Aperture:f/2.6
Focal Length:3.55mm
ISO:200
Shutter:1/10 sec
Camera:GT-S5830

Estou diferente do que sou! Do que fui.
Por um espiritual daltonismo deformado,
Fiz-me transvestido de mim próprio.
Sabores há que deixei de gozar,
Por aromas me deixei de desprender.
Diminuído, empedernido, sou outro ser.

Pesam vivências quiçá esquecidas.
Quais trepadeiras, parasitas, enfartadas,
À substância de minh’alma lançadas,
Cresceram, medraram, por cá ficaram.
Guardiãs de um sentir que já cá não mora,
Ramificando-se me transformaram no d’agora.

O peito, antes desprotegido, se cerrou.
Irredutível, irremediável, calcificou.
Alimentando-se de um extenuante torpor,
Escondido por uma gélida muralha, incolor,
Bloqueiou-se de alcoólicas condições,
Não mais se enleva em efémeras paixões.

Ainda me corre nas veias, a vida.
Mas não mais é ardente ou colorida.
Ela, que outrora chegara a ser efusiva,
Deixou-se destilar, diluir, desbotar.
É agora de um negro carregado,
De um tom pelos temporais deslustrado.

Voltam-se pesadas páginas que já lá vão,
E muitas em branco, por escrever, haverão.
Mas a história já vai diferente,
A mão que o cálamo empunha é já outra.
Há muito deixei de ser o que sinto,
Resta-me agora ser o que faço.

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